15.9.11

Neighborhoods

A quantidade de música ruim que andam lançando, meu amg, faz o Molejão ser merecedor de um Grammy. A mais recente vítima de equívoco em forma de álbum foi o Blink 182. Sim, ainda existem. Sim, voltamos para 2001. Não, não está permitido usar calça cargo e piercing na sobrancelha. O problema é que Blink 182 sempre será lembrado pelas peripécias de três branquelos que correram pelados por ai sem o menor constrangimento e zoaram de forma engraçadíssima a boyband mais querida da época. Não são todos que lembram de, por exemplo, "Stay Togetther For The Kids" e "I Miss You", músicas mais sérias e um tanto quanto sentimentais, ou então do punk 1234 sujinho de "Dammit". E dai eles me lançam o "Neighborhoods" justamente na pegada encontro da fase madura com a sujinha sem a engraçadinha. No começo você pensa que vai prestar, balança o pé, faz do mouse a sua bateria, mas que erro...que erro. São 14 faixas inéditas tão marcadas pela mesmice, que, ao fim, fica aquela sensação de ter escutado uma música só durante 45 minutos. Em outras palavras, um tremendo desperdício de tempo. E pra completar, o clipe de "Up All Night", primeiro single do álbum, mais parece uma versão limpinha de "Whiskey In The Jar" do Metallica. Não tenho mais idade pra isso. 


1.9.11

"Troubled times call out for troubled songs"

Jogue suas mãos para o céu e agradeça se acaso deu a sorte de ser um adolescente numa época em que ainda era possível viver a adolescência na sua plenitude de adolescente. Se quiser agradecer por ter alguém com você sempre na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê, fique a vontade também. É a ordem natural da vida. Voltando ao assunto que interessa...se você jogou suas mãos para o céu e agradeceu, em algum momento a ideia de montar uma banda passou pela sua cabeça. E se a ideia deixou de ser meramente uma ideia e virou realidade, sua banda tocou Rage Against The Machine. Se não tocou, provavelmente você não venceu na vida, sua banda favorita é Radiohead e hoje coloca "jornalista e blogueiro" na bio do twitter. Bem, o fato é que RATM fez muito sucesso com aquela música toda nervosinha, "Killing In The Name" ("Lagartixa de Touca", para os íntimos). Quem nunca sentiu vontade de apontar o dedinho na cara de algum abusado e dizer "Fuck you, I won't do what you tell me", não é mesmo? Pois é. A raivinha rendeu quatro álbuns e a banda se separou em 2000. Zach de La Rocha foi lamber uns zapatistas e o resto se juntou ao Chris Cornell no tal de Audioslave, banda mais facepalm da história.

say live and let die

Até que em 2007, Zach mandou um we belong together e RATM voltou a se reunir. Ano passado, tocaram por aqui no SWU e teve caos, teve destruição, teve boné do MST, teve Zach nervosinho e teve meu coração cheio de esperança e ansioso por um novo álbum. Acontece que a expectativa é a mãe da merda e teve álbum novo sim, mas do projeto solo do Tom Morello, caralha de The Nightwatchman.

uma boca aberta, um violão, tom morello sendo cuzão

A verdade é que alter-ego nightwatchman surgiu na época do Audioslave numa clara tentativa do Tom Morello preencher o vazio 'mamãe quero combater as injustiças do mundo' deixado pelo Zach. Só que fica mais bonito dizer que The Nightwatchman é como "o Robin Hood Negro da música para oferecer ao público um pseudo-Bob Dylan do século 21". -q. Em maio, liberou o "Union Town", EP com três músicas inéditas ("A Wall Against the Wind", "Union Town" and "Which Side Are You On?") e alguns covers até escutáveis. Semana passada foi a vez de "World Wide Rebel Songs". O que esperar de alguém que tentar ser o novo Bob Dylan feat. Bruce Springsteen e lança um álbum com esse título? Exatamente, uma caralhada de música com gaita, viola dos broders e letras politizadas. Nada contra, até acho muito válido, mas lá no penúltima música, ele simplesmente joga a toalha e manda um "God help us all, we're wandering with no future and no hope". Aí não, né? Sai dessa, deixa voz/letras por conta do Zach e se concentra só nas guitarras, Tom. Vai ser melhor pra todo mundo.


20.8.11

La la la liberación

Entendo a birra com Cansei de Ser Sexy? Não só não entendo como acho babaca. "Aaaai, é muito artificial, vazio". Geralmente quem fala isso são as pessoas que favoritaram o clipe de Like a G6 no youtube. Ou aquelas que escutam Mombojó, porque Papapa é realmente muito profunda. Piranha, por favor. Bem curto essa atitude despojada que o CSS assumiu desde o início e que conduziu os dois primeiros álbuns da banda. O terceiro, La Liberación, foi disponibilizado para audição nesta semana e acabou com o hiatus que durava desde 2008.


A bagaceira foi deixada um pouco de lado e deu lugar a uma sutil inovação, principalmente nas letras. Em City Grrrl, por exemplo, Lovefoxxx vocifera o já conhecido sentimento I don't belong here que marcou o início da adolescência. Nas palavras da própria vocalista "The song captures the sentiment of feeling like a true outsider and yearning to escape to a big city to find fellow outcasts". Ainda assim, a identificação musical foi preservada de forma louvável. Exatamente o que se pode esperar de um álbum do CSS. Para rechear o set list dos DJs nas festinhas, já tá de bom tamanho.

11.8.11

And I am lost and not found

Quando escutam a palavra "beirut", algumas pessoas lembram imediatamente da banda. Eu não. Primeiro lembro do bar, depois lembro da cidade e só então lembro da orquestra comandada por Zach Condon. A verdade é que nunca me preocupei com Beirut. Cappuccino no CCBB demais pra minha paciência de menos. Até que graças aos ossos do ofício, precisei escutar o Red Hot + Rio 2, uma coletânia que reuniu vários gringos com o intuito de prestar uma homenagem ao tropicalismo. Ficou uma merda, óbvio, mas o cover de Beirut pra "Leãozinho" realmente conseguiu prender a minha atenção. Na levada do ukelele, Condon se aventura no português e pesa a mão no sotaque, o que só acrescenta imensurável fofura cuti-cuti à melodia suave e harmoniosa.


parra disentristicer leozinho

Talvez todo o excesso de fofura tenho me levado a ouvir o recente álbum deles, The Rip Tide. Qual não foi minha alegria ao perceber que do jeito que TRT me olhou deu namoro? Segundo a wikipedia, "a música do Beirut combina elementos folk do Leste Europeu, onde Zach passou uma temporada, pesquisando as sonoridades que caracterizam a banda". E é bem por ai mesmo. A sanfoninha cativante e instrumentos de sopro dividem espaço e resultam numa musicalidade ao mesmo tempo rica e simples que casam perfeitamente com a singela angústia das letras. Na NPR, o streaming completo do álbum já está disponível. É só conferir.

9.8.11

What's a king to a god? What's a god to a non-believer?

Entendo bostas de hip hop/rap. Bostas. Se ainda fosse Rap Brasil, vai-se lá, porque taí uma fita K7 que marcou a vida, marcou o coração. Mas com o tempo comecei a curtir alguns artistas do ramo, principalmente Jay-Z e Kanye West. Um sapeca neném na Beyoncé e isso já é suficiente. O outro...bem, o outro fala demais, tem ego demais, faz merda demais, é babaca demais, é vulnerável demais, é odiado demais e como não amar uma pessoa assim? Talvez por ser um fdp insuportável, a maioria não faça questão de olhar atentamente o seu trabalho. E eis uma grande injustiça. "My Beautiful Dark Twisted Fantasy" é um dos álbuns mais sensacionais que já ouvi na minha vida e não, não é exagero.

Pois bem, o fato é que os dois resolveram lançar um álbum e dessa melanina cheirando a paixão em forma de parceria surgiu o "Watch The Throne".


No bom inglês malandro, this shit is dope. Jay-Z comanda grande parte das 18 faixas marcadas pelo contrastes entre letras que ora enaltecem as extravagâncias de um mundo cheio de regalias óbvias ao mesmo tempo que inoportunas ("So many watches I need eight arms"), ora apontam as inseguranças e preconceitos que ainda permeiam a sociedade ("Marilyn Monroe, she’s quite nice/But why all the pretty icons always all-white?")

É interessante observar como os dois se complementam musicalmente ao mesclar estilos e transformam o que tinha tudo para ser uma briga de egos em um consistente álbum que supera expectativas. Com tamanha determinação e empenho, arrisco dizer que "Watch The Throne" tem tudo para se tornar um clássico.

30.7.11

Mother Monster

Amy morreu e preciso eleger outra imatura para ocupar o lugar de queridinha/guru do blog. Pensei na Adele, mas ela ainda é uma iniciante na arte e um histórico cheio de mágoa não é suficiente para assumir tal posto. Alguns meses atrás, veio com uma conversinha de "não faço música para os olhos, faço música para os ouvidos". Grandisbosta transformar pé na bunda em belas canções. Zezé Di Camargo e Luciano cantam as dores do amor há 20 anos e nunca deram uma declaração tão pedante assim.

Dito isto, eis alguém com um histórico cheio de sucessos, bizarrices e tapas na cara da sociedade que tem tudo para honrar o título de imatura: Lady Gaga.


estou/sou linda?

Ponto positivo: não bastasse ser talentosa e inteligente, ainda adora andar por ai quase pelada, coisa que eu aprovo totalmente. Afinal, tudo que é bonito é pra se mostrar.

Ponto negativo: depois de dois ótimos álbuns, "Born This Way" é bem mais ou menos. Mais pra menos do que pra mais. Muito efeito Ibiza 90s, muito saxofone, muito tudo, quando só um piano e voz já bastariam.

Imatura pq?: No "The Monster Ball HBO special" dá pra perceber problemas de auto-estima. Apesar de dizer que não liga para as críticas, que só se importa com os fãs, fica bastante claro que ela vive uma necessidade constante de surpreender tanto o público quanto a mídia louca mídia, a ponto de ficar semanas praticamente sem comer só para entrar em uma roupa. Vontade de abraçar e cantar "you are beautiful no matter what they say", principalmente quando ela diz que às vezes ainda se sente como uma loser no colégio. Todos nós, gagazinha. Todos nós.


23.7.11

Amy, sua imatura.

Quem acompanha o confuzione desde o começo sabe que a Amy sempre foi uma das queridinhas do blog. Eu já esperava a morte dela desde 2007 e sabe-se lá como a imatura conseguiu durar tanto com aquele estilo de vida caótico. Sabe-se lá também por que algumas pessoas fazem tanta questão de serem escrotas em momentos como este, mas me dou o direito lamentar e ficar triste. Sem moralismo, sem julgamentos. Apenas tristeza.